segunda-feira, 29 de maio de 2017

acorda






Quando determinado tema ou assunto está demasiadamente cansativo na mídia seja pela diversidade de opiniões pautadas na história política e social do país ou mera opinião embasada em hipóteses ou achismos da vida, escolho a distância para refletir e fazer o exercício dos por quês.

Tanto se fala em “deixar o povo escolher/decidir”, que por aqui enquanto irrisória parte do povo vejo apenas esta opção de escolha ou decisão na forma de: refletir.

Nunca as palavras do Marx no livro 18 de brumário de Luís Bonaparte fizeram tanto sentido: “os homens fazem a sua própria história; contudo, não fazem de livre e espontânea vontade, pois não são eles quem escolhem as circunstâncias sob as quais é feita, mas estas lhes foram transmitidas assim como se encontram. A tradição de todas as gerações passadas é como um pesadelo que comprime o cérebro dos vivos.”


E refletindo ou na tentativa de, uma vez que todos os dias têm avalanche de notícias alinhadas a mais retrocesso, eu procuro fazer perguntas que são óbvias e outras que nem tanto.


Neste exercício tenho me perguntado constantemente por que o golpe institucional, jurídico e midiático ocorreu em maio de 2016 em plena “democracia” aparentemente consolidada no país?


A cada escândalo de corrupção na mídia vemos que o golpe é maior do que poderíamos imaginar seja com furo de reportagem com ou sem áudio.


Aliás alguém se pergunta por que justo a empresa Rede Globo ou O Globo responsável por ocultar todos os horrores da Ditadura Civil Militar e pleitear todos os presidenciáveis desde a redemocratização em 1988 foi à responsável por divulgar esse áudio?

Não existem repostas prontas ou peças de encaixar para montar o quebra-cabeça do golpe porque possui articulações para além do país.

O golpe rompe fronteiras afinal estamos no capitalismo e nenhum país pode agir isoladamente, caso contrário sofre o bloqueio econômico, tipo Cuba sabe.

Justo por isso  peças importantíssimas – Eduardo Cunha - estão blindadas pela justiça e mídia e empresários para manter a lei do silêncio.

A delação de Eduardo Cunha derrubaria além do Temer, o congresso e empresários acostumados a mandar e desmandar no país. Justo este pacote de articulações são os responsáveis em pleitear o pacote de reformas anti-trabalhadores sob a justificativa de que as reformas servem para estabilizar a economia que poucos usufruem seja com bem-estar social ou política pública de qualidade.


Imagino o quanto deve ser chato para não dizer vergonhoso para aqueles que foram as ruas no ano passado pedir o  impeachment/GOLPE da presidente e neste ano perceber que foram enganados pelo movimentos sociais de direita que prometiam varrer os corruptos e o mar de corrupção do país.


O movimento social da direita usou de nítida má-fé para eleger seus candidatos, proteger muitos políticos corruptos e ser uma espécie de espectro/sombra de empresários e mídia televisiva nos atos de 2015. Hoje é improvável que esses movimentos da direita convoquem manifestações tendo em vista o escândalo envolvendo o PMDB e PSDB e empresários.


Mesmo se ousarem ter essa cara de pau quem vai acreditar nos movimentos sociais golpistas da direita?

Aqui também cabe perguntar por que mesmo com impeachment/golpe concretizado não existe uma comemoração plena entre os agentes do golpe? O que ainda falta?

Não vou usar aqui de jargões e ofensas e ironias para que reconheçam os erros e o quanto a História e Filosofia fizeram falta nos anos de ensino (sei bem, pois o acesso mínimo ocorreu na faculdade) e isso independe da sua formação profissional.

Vemos que jogar a corrupção estrutural do Estado em apenas um partido é não se conhecer na política ou não questionar os acontecimentos políticos do seu país, o que nos torna enquanto coletivo muito vulnerável para enfrentar a forca.


E é sobre a forca que quero falar.
Porque estamos diante da forca ou indo ao encontro de.


Não temos mais tempo de discutir quem está com ou quem é dono da razão. As notícias sobre corrupção e escândalos na política revelam o golpe, bem como que as Reformas da Previdência, a Reforma Trabalhista e a Lei da Terceirização serão pleiteadas pelo Congresso independente do quadro político.


Noutras palavras, pouco importa se vai existir eleições diretas ou indiretas ou quem ocupará a presidência, as Reformas (Trabalhista, Previdência e Terceirização) é uma pauta política de empresários por meio do congresso.


Aliado a esta hipótese ou suspeita os movimentos sociais e sindicatos da esquerda pleiteiam a Eleições Diretas, cuja eleição possibilita o povo escolher o presidente ou mesmo reivindicar Eleições Gerais.


O principal argumento desta Frente Brasil Popular ou Povo Sem Medo (composta por partidos, sindicatos e movimentos sociais) é de que 85% da população escolhem ou desejam a Eleição Direta.


Cabe compartilhar neste momento outro exercício que pratico. O exercício da lealdade entre o que é o que pode ser ou mesmo o que se sonha. Lealdade não ocupa muito espaço e cabe em qualquer lugar e momento com qualquer pessoa, até por uma questão de lealdade a si.


Assim o argumento de que 85% da população reivindicam as Eleições Diretas não pode ser 100% validado, principalmente quando a informação parte de empresa – Folha de SP - que financia golpes.


Este argumento é questionável quando tivemos nas eleições de 2014 o número exponencial de abstenções 30.137.479 (21, 10%) e nulos 5.219.787 (4,63%) e brancos 1.921.819 (1,71%), vemos que mencionar 85% favorável para votar é falacioso.

No caso de dúvida podemos ver os números da cidade de SP nos quais o candidato eleito com 3.085.187 (53.29%) de votos, se comparado com abstenções 1.940.454 (21.84%), nulos 788.379 (11,35%) e brancos 367.471 (5.29%) revelam que nem todos consideram as eleições como solução para cidade e/ou país.

Aproveitando a citação sobre o dito cujo do prefeito da cidade de SP não sei se posso, mas quero avisar aos partidos de esquerda e/ou mídia de esquerda que agora usa o termo da direita em “personalidades” para nomear os globais que participam dos protestos, de que nesta época das eleições observei que mais se falava no oponente do que no candidato da esquerda.

Pelo que consta esta estratégia de marketing do oponente perdura e com pleno sucesso. Nota-se que a mídia de esquerda estampa e menciona o nome do oponente mais que qualquer outro, tanto é que disparou curiosidade sobre “omi” em terras improváveis ou seja nordeste.

Então, retira o excesso de ego esquerda em conseguir  likes, talvez possa ajudar a observar mais e quem sabe melhorar o cenário que não está favorável para ninguém.

Seguindo com o que importa, vemos que a esquerda escolheu a sua pauta: Eleições ou Diretas Já. Não vou aqui colocar os vários motivos pelos quais discordo até para reivindicar mais lealdade para que não caiam na esparrela de fazer o que fez os movimentos sociais golpistas da direita ao usar a boa fé das pessoas direcionando-as para o abismo social.

 Talvez pedir para a esquerda institucionalizada ser mais coerente com o que se fala e faz seja muito ou é melhor dizer que “a esquerda institucional nada mais é que uma direita envergonhada”.

A hipótese por aqui perdura na mesma de que as Reformas (Trabalhista, Previdência e Terceirização) são os reais motivos do impeachment/golpe no Brasil. Assim como restringir ao máximo o Estado de Bem-Estar e/ou direitos sociais  fazem parte do processo.

Contudo, não podemos acreditar que delegar para um ser humano/presidente a tarefa de resolver todas as questões sobre seja a solução.

O exercício de manifestar possibilita a compreensão de que sem pressão não existe direito social e trabalhista para trabalhadores. O espaço de todos na política está nitidamente compreendido sob a pressão popular de uma vida melhor, sempre e em todos os séculos.

Logo neste momento, não vejo outra ala senão da esquerda em minimamente pleitear infelizmente as eleições, mas sendo contra as reformas.

Acabar com a corrupção ou mar de lama no país nunca foi do interesse da Rede Globo, empresários e movimentos sociais golpistas da direita, caso contrário seriam os primeiros a convocar os atos.

Neste baleio de interesses e ebulições políticas o que cabe a cada um parece estar mais evidente: refletir qual bandeira levantar nas ruas.

E já que ocupar as ruas não é escolha, espero que a revolta e bandeira principal do povo nas ruas seja contra as Reformas a fim de esmagar e destruir a todas, sem dó nem piedade. Caso contrário, segue o próximo pescoço...


ps: fiquei sabendo ae que está rolando um projeto para criminalizar o funk. assim do nada, como se a perifa tivesse abarrotada de opções culturais sabe. o rincon já deu a linha: "o funk é filho do gueto, assuma"

sábado, 27 de maio de 2017

Não há vagas


Cresci com a promessa de que o meu próprio esforço me levaria aonde eu quisesse. Bastava me dedicar, estudar e então ascenderia de classe social. Certamente não parecia um caminho fácil, mas a recompensa valeria a pena.

Anos mais tarde, aprendi que o nome disso era meritocracia. E o mais importante: que a meritocracia era uma falácia. Isso porque embora a nossa sociedade não seja dividida em estamentos rígidos, é possível mudar de classe social, o gargalo é estreito, quase como uma loteria.

A partir dos anos 2000, o acesso ao ensino superior foi facilitado para as classes trabalhadoras. E ainda que possa ser questionada a formação que certas faculdades oferecem, o que importa é que uma massa de pessoas qualificadas foi acrescentada ao bolo. Mas já dizia Orwell: “uns são mais iguais do que outros”.  

Com o diploma em mãos descobrimos que não há vagas para nós. E não apenas pelo momento atual de crise econômica e política, quase 14% dos brasileiros estão desempregados em 2017, mas por um motivo mais profundo: somos uma sociedade de classes. Nunca foi o plano abarcar todo mundo, aquele papo de “tirar os meninos do tráfico através da educação” é apenas uma conversa cínica de elite. Muitos meninos e meninas se esforçaram para passar no vestibular, enfrentaram todos os obstáculos para concluir a graduação, aguentaram firme ali, lado a lado com os filhos da elite, mas e depois? Não há vagas.

Não há vagas para você que não é fluente pelo menos em inglês. Não há vagas para você que não é amigo ou parente de ninguém de influência. Não há vagas para você que tem esse sobrenome genérico. Não há vagas para você que durante a graduação não fez nenhum intercâmbio. Não há vagas para você que não tem uma vasta experiência prévia, porque alguém conhecido direta ou indiretamente não te deu nenhum cargo e no seu currículo só há experiência de estagiário. Não há vagas para você...

A mesma fonte mentirosa abastece a meritocracia e a filosofia do pensamento positivo. As duas ideias ajudam a manter a ordem injusta das coisas porque não refletem a relação que existe entre indivíduo e sociedade. Por exemplo, sabemos que existe um número determinado de cargos para engenheiros; quem serão os seus ocupantes? Basicamente engenheiros cujas famílias têm histórico na carreira, embora um ou outro estudante que "fez a si mesmo" também seja aceito na fraternidade. Isso significa que os demais estudantes de engenharia são absolutamente incompetentes para exercer a profissão? Não.  Do mesmo modo atua o tal “pensamento positivo”. Negar os problemas não os faz desaparecer. Além do mais, é bastante cruel acusar o indivíduo que está desempregado de não “pensar positivo” como se as vagas que não existem para ele fossem magicamente aparecer ou desaparecer por sua própria vontade.

Por fim, é verdade que não há vagas. Mas também não significa que devemos apenas nos lamentar e continuar numa posição de submissão. Enquanto indivíduos, estamos atuando na sociedade e provocando micro alterações nela. Talvez o que nos falta é desistir de tentar nos encaixar em regras que foram feitas para nos excluir e criar outro jogo, com novas regras.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Eu e ela

Vou te dar um exemplo. As coisas costumam ficar mais claras com exemplos. Digamos que você precisa fazer uma festa e precise de um bolo para ser entregue ao meio-dia. Não, é claro que eu não organizo festas, já disse que é só um exemplo, senhor, podia ser qualquer coisa, disse bolo porque foi a primeira coisa que me veio à mente e disse meio-dia porque é uma hora única, justamente pra você não me vir com perguntas desnecessárias, do tipo "da manhã ou da noite". Meio-dia é meio-dia e ponto. Mas voltemos ao exemplo. Digamos que seja eu quem tenha que lhe entregar um bolo ao meio-dia e digamos que esteja estabelecido, ao menos tacitamente, que seja eu mesmo quem tenha que fazer o bolo. Isso, nada de comprar pronto, digamos que seja eu mesmo o confeiteiro. Bom, você pode estar certo que você terá um bolo ao meio-dia, muito provavelmente antes, mas não muito, para que o bolo ainda esteja fresco ao meio-dia. O bolo será um bolo medíocre e, por favor, não me entenda mal, não quero dizer que será um bolo ruim, jamais. Quando digo medíocre quero dizer apenas isso mesmo, que o bolo estará na média dos bolos. Agradará, mas sem causar nenhuma comoção, a grande maioria dos convidados, justamente por ser igual à absoluta maioria dos bolos que qualquer um já comeu na vida. Dois ou três julgarão o bolo ruim, mas do mesmo modo, sem qualquer tipo de comoção. Para estes dois ou três será apenas um bolo ruim como qualquer outro bolo ruim que eles já comeram na vida. Para uns e para outros, o bolo será esquecido logo depois dos parabéns, mas todos sairão da festa com o bolo comido e você terá uma superfície comestível para colocar sua velinha. É possível e até mesmo provável, por que não, que num próximo aniversário meus serviços sejam novamente solicitados, agraciado que você ficou com um bolo tão pontualmente entregue e tão dentro das expectativas. E só. Agora, preste atenção, se fosse ela a incumbida de fazer um bolo e lhe entregar ao meio-dia, tudo seria bem diferente. Nas duas ou três noites que antecedessem o dia da festa, ela passaria em claro, pesquisando as mais maravilhosas técnicas para se fazer um bolo, não para copiá-las, jamais, mas para superá-las, para criar um bolo único, um bolo jamais comido. Ela buscaria ingredientes frescos e produzidos com a mais alta harmonia com a natureza.  Faria testes, muitos testes. Estudaria a função que cada ingrediente cumpre na receita e faria uma série de substituições, até chegar num resultado perfeito. E resultados perfeitos, o senhor deve saber, não saem assim do dia pra noite, é preciso ter paciência e, sobretudo, perseverança. Na manhã do dia da festa ela te telefonaria e te diria que tudo corria muito bem, mas que se atrasaria um pouco, e que o bolo certamente chegaria antes dos parabéns. Provavelmente não chegaria. Se fosse para entregar um bolo que não pudesse ser chamado de perfeito, ela não o faria. O senhor pode estar certo que ninguém comeria bolo algum naquela festa e o senhor teria de segurar a vela nas mãos, correndo o sério risco de se queimar com isso. Sim, eu sei, alguém poderia sair apressado e comprar um bolo qualquer na padaria, mas já disse que é um exemplo e é sempre bom tornar as coisas mais extremadas nos exemplos, isso facilita a compreensão. É certamente mais didático e tudo o que mais quero aqui é ser didático, quero que o senhor entenda o que se passa entre nós. Bom, voltando ao bolo, ele finalmente ficaria pronto duas ou três semanas depois da festa e ela te chamaria orgulhosa para experimentá-lo com café. Curioso, é provável que você fosse, sobretudo porque ela nada cobraria e talvez até te pagasse algum. Você ficaria bem puto com a falta de profissionalismo, mas por um motivo bem razoável não demonstraria nenhum tipo de chateação, o bolo estaria de outro mundo, o que não quer dizer exatamente que seria um bolo delicioso, mas seria de outro mundo. Talvez você até já tenha provado bolo mais gostoso, mas nenhum tão inesquecível. Você talvez nem saiba explicar porquê, talvez nem goste do sabor, mas você jamais esquecerá daquele bolo e se lamentará até a última migalha de não ter tido a possibilidade de ter este bolo pra sua festa. E se no ano seguinte você se antecipar e lhe encomendar o bolo com quatro meses de antecedência, pode esquecer, por nada neste mundo ela se sujeitaria a fazer o mesmo bolo outro vez e, duas ou três noites que antecedessem o dia da festa, ela passaria em claro, pesquisando as mais maravilhosas técnicas para se fazer um bolo. O quê? Como assim demonstrei hesitação nessa segunda parte? É claro que estou nervoso ou o senhor acha fácil me expor desse jeito? Está certo que estou falando por meio de suposições, de exemplos imaginados, sim, é claro que são imaginados, senhor, eu lá tenho cara de boleiro? Está certo que falo em termos de eu e ela, mas o tempo todo sei que o senhor sabe que estou falando de mim, ou melhor, de nós, quero dizer, não de mim e do senhor, mas de mim e de minha esposa, é claro. E sim, o senhor tem razão ao dizer que fui impreciso. É certo que eu disse que na verdade o bolo não chegaria, mas o mais provável é que chegasse. Jamais chegaria ao meio-dia. Isso nunca. Jamais. E agora não estou sendo impreciso. Pode anotar aí. Jamais chegaria ao meio dia. O desespero tomaria conta de quem estivesse organizando a festa, provavelmente o tal bolo de padaria seria mesmo comprado, mas o bolo dela chegaria, está feliz agora? Eu admito que o bolo chegaria, mas olha lá, chegaria cinco minutos antes dos parabéns, quando ninguém mais acreditasse que ele pudesse chegar e ela ainda sairia na foto soprando as velinhas. É o que eu digo, é o que eu acho, pode anotar aí. A reação das pessoas? Ah, nisso eu não mudo uma palavra do que já disse. Seria mesmo um bolo de outro mundo. Para o bem ou para o mal, senhor.

sábado, 20 de maio de 2017

As brutalidades sociais cotidianas

No dia 12 deste mês o Brasil perdeu um de seus maiores intelectuais. Quase um século de conhecimento personificado. Antonio Candido faleceu aos 98 anos. Sociólogo por formação, consagrou sua carreira como crítico literário, mas Candido não chegava a fazer uma grande distinção entre essas duas áreas.

Em um vídeo gravado há três anos ele fala sobre o direito à literatura afirmando que "o direito à literatura deságua na justiça social". É uma análise que não restringe a literatura ao hobby, mas resgata a origem de histórias criadas e disseminadas como forma de compreender melhor o mundo.

Partindo deste princípio percebemos que a alfabetização é como um pequeno passo de um bebê desengonçado, que parte em busca de novos limites. Sem menosprezar o folclore transmitido oralmente, que retrata situações locais, Candido afirma ser “brutalidade social privar um individuo de boa literatura”.

Fornecer condições de ensino, formação e preparo para que um indivíduo tenha a leitura como hábito e acesse as grandes obras literárias faz com que ele expanda seu universo e passe a compreender melhor o mundo, com uma visão mais ampla e criativa da realidade que o cerca – seja ela uma grande megalópole ou um pequeno sítio isolado no interior.

Colocar a literatura em papel de destaque, como protagonista da justiça social ao invés de um mero entretenimento, é tarefa para poucos. A economia está tão enraizada neste posto que nossos olhos estranham a mudança. Candido não apenas exercia essa tarefa como ia além, aplicando conceitos sofisticados das ciências sociais em suas análises.

Cinco dias depois da morte de Antonio Candido o país foi chacoalhado por uma delação. Delações vêm sendo feitas há meses, mas esta teve uma particularidade, uma prova material. O áudio, a mala de dinheiro rastreada, o popular “batom na cueca”.

Muita gente nunca teve a menor esperança de que algo de bom pudesse vir dos novos delatados, mas entre as várias frases que passaram a ecoar depois do escândalo foi a de que “não sobrou ninguém”. Sobretudo os que colocavam Dilma Rousseff como fonte de todos os problemas, foram surpreendidos por provas contra seu sucessor e contra a alternativa no segundo turno da última eleição.

A frustração política que se espalha pelo país é compreensível, mas acreditar que não sobrou ninguém implica em ter depositado toda a esperança de uma visão restrita em duas pessoas que nunca demonstraram ser, de fato, uma alternativa diferente.

Vale a pena considerar a hipótese de que a crença irrestrita em uma dicotomia tão simples para uma realidade tão complexa é resultado de um aprisionamento pessoal em um mundo que não extrapola os limites do folclore local.

Buscar um mundo mais amplo do que a falsa dicotomia exaltada no país forma um indivíduo mais completo e uma sociedade mais diversificada. A economia não é um caminho para que isso seja alcançado.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

The Day I Tried to Live (Say Hello to Heaven)


Um verdadeiro ídolo musical inspira a vida, acaba virando um grande amigo, suas músicas se tornam como conversas que nos motivam a seguir, que nos confortam ou até nos abraçam em momentos difíceis da vida. Pelo menos é assim que sempre aconteceu comigo, principalmente com aqueles da década de 90, uma década difícil pela adolescência e tudo mais que nela aconteceu para mim.
Ontem, numa noite onde o país estava do avesso, um amigo desses de adolescência estava longe, em Detroit, onde viu o show de um dos nossos ídolos musicais, estes que viram amigos e também heróis pra gente. Conversamos, contei o que estava acontecendo no nosso país e logo depois ele me contou como foi o show que acabara de ver. Chris Cornell e o Soundgarden estavam melhor do que nunca e com uma energia incrível, ele disse.

Dia 18, meu dia de escrever neste blog, o dia que poderá ser o primeiro de uma revolução, virou um dia mais surreal ainda... o amigo que estava no palco ontem se foi! Não se sabe porque ele se foi ou decidiu partir deste mundo, mas meu amigo de adolescência se despediu de outro bem de perto, nos representando, poucos metros dele e poucas horas antes da partida.
Hoje virou apenas o dia de me despedir de um amigo ouvindo suas músicas que em muitos momentos me motivaram e me confortaram, para lhe desejar uma boa passagem. Hoje também já espero o retorno ao Brasil do meu amigo de adolescência, para ouvirmos os discos do Soundgarden e brindarmos em homenagem ao outro amigo de adolescência, um dos nossos heróis que virou Rock Star, no sentido mais bonito da expressão.

Fica bem aí em Detroit Rock City, Marcelo. Aguardamos você aqui na ZO de Sampa.

Damn, Chris! isn´t your time of dying! But say hello to Andy and keep on rocking!

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Inércia

A rachadura no teto o irritava, mas não tinha ânimo para arrumá-la. Aliás, não tinha ânimo para mais nada. Às vezes desejava ser o inseto de Kafka, pelo menos alguma coisa diferente aconteceria. Tinha dias que não saía de casa. A única coisa que o motivava a levantar daquela cama com os lençóis suados pelo calor era alimentar os sete gatos que cultivava no quintal.

Se sentia  um jovem Dustin Hoffman em “The Graduate”, mas sem sua Elaine. Sem dinheiro, sem emprego, sem nada.  À deriva do mundo, esperando algo acontecer para melhorar. Sentou-se na beira da cama e resolveu começar o dia. Olhou à sua volta e o desânimo bateu mais forte. Ali era favela, era feio. Não tinha verde, não dava para ver o mar. Pensou em sair para pedalar, para longe dali, mas teve mede se ser assaltado e perder sua magrela. O calor era demais até para tomar café. Pegou seu copo de água gelada e mandou para baixo. Aquela sensação de limpar tudo por dentro o fez ter vontade de vomitar.

Lembrou-se de que era hoje que sairia o resultado de um dos muitos concursos que havia tentado nos últimos meses. Ligou seu computador, mas nada ainda. De repente olhou para o relógio e percebeu que passara as últimas três horas imerso em um jogo online. Pelo menos ali era o herói, era reconhecido, sabia que era útil para seu time.

Entrou novamente no site e ali estava o arquivo em PDF o esperando. Procurou seu nome na lista. Aprovado. Tinha sido aprovado. Teve vontade de ficar feliz com aquilo! Mas não conseguiu mexer nem o canto da boca para fazer um auto sorriso. Estava feliz? Aquilo só significaria que iria ter que acordar cedo, enfrentar o trânsito e o calor da cidade, passar dez horas enfurnado em uma sala com ar condicionado fingindo que estava fazendo alguma coisa importante.

Todos fingem nessa sociedade estúpida que criamos para nós mesmos. É a única maneira de sobreviver a ela. O que faria agora? Tinha que juntar uma caralhada de documentos e começar a labuta burocrática antes mesmo de começar a trabalhar. Tinha dois dias para fazer isso.

Foi à cozinha, pegou mais um copo de água gelada e tomou. Coçou a bunda, olhou para os gatos, que brincavam inocentes no quintal de cimento. Como queria ser um gato e poder se satisfazer com o solzinho da manhã, ou com os brinquedinhos eventuais. Tinha que colocar comida para eles.

Entrou debaixo do chuveiro desligado e deixou a água cair. Colocou uma bermuda e uma regata para enfrentar o calor. Enquanto trocava de roupa esbarrou-se em sua bicicleta. Devia ter meses que estava ali, parada, no mesmo lugar, estorvando. Bem que poderia encher seus pneus e tentar ir ao centro com ela. Já não tinha mais nada a perder mesmo, que se foda!

Colocou a pochete por baixo da blusa com sua chave, seu pen drive e seu celular. Foi empurrando a bike até a saída de casa e o barulhinho já lhe trouxe boas lembranças. Ajustou o banco a sua altura, montou e começou a descer o morro.

Deliciosamente o vento batia em seu rosto e de repente todos os barulhos e toda a feiura a sua volta foram esquecidos. Era ele e uma extensão dele mesmo, em alta velocidade. Chegou ao final do morro e automaticamente virou à esquerda sem pensar, como se seus músculos ainda se lembrassem de tudo. Chegou à avenida lotada de carros parados, ultrapassou todos eles. Pedalou mais uns dez minutos até chegar à orla. O mar, tão sem graça. Mas estava hoje tão bonito. O cheiro de água salgada e o murmurinho das ondas logo lhe vieram como uma sensação de estar em casa, uma casa aconchegante.

Por um segundo havia se esquecido para onde estava indo. Ah sim, o concurso, os documentos! Lembrou-se. E naquele momento, sorriu para si mesmo por alguns segundos.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Insistir, persistir, ir......


No meio das dúvidas e incertezas, no meio do mar revolto que às vezes é minha vida, fico na espera, de vez em quando silenciosa, nem sempre barulhenta ou constante.

E desde pequena misturo palavras e seus significados. Meu pai adorava dicionários e sempre me corrigia quando eu repetia uma palavra, me dizia que poderia usar outras dez para dizer a mesma coisa. Mas sou virginiana, apegada as coisas, grudada em palavras que descrevem o que sinto ou deixo de sentir.

E até hoje, mesmo desmontando os dicionários do mundo, me perco entre ''insistir e persistir''.

Não são a mesma coisa, não significam a mesma coisa e ainda são divididos por explicações espirituais e conceitos divinos. Insistir não é bom, é coisa para gente teimosa, que perde seu tempo, mas persistir é divino, ação dos valentes, corajosos e que tem certeza da recompensa de Deus, persistir aparece tantas vezes na Bíblia que é quase um mantra, persistir é sinônimo de espírito forte, que não desiste diante das dificuldades, insistir é atitude de gente burra.

Mas minha vida se divide entre essas duas palavras e arrasta minha alma pelo chão, até quando insistir e por quê persistir em algo?

Porque a recompensa vai chegar. 
Bom, isso é teoria, não é fato.

E se estou persistindo em algo errado ou insistindo no lado equivocado?


Já me disseram que a alma avisa, mas não conhecem a minha, cheia de questões, minha alma é como um departamento de trânsito de uma cidade enorme, dividida em setores, cheia de papéis, de tramites burocráticos e cada vez que entro lá dentro me perco, nunca sei onde estão os departamentos que procuro. Se chegou algum aviso sobre o que devo insistir ou persistir, está parado em alguma mesa, perdido no meio da burocracia que me ocupa por inteiro.

E sem respostas me devoro por dentro e por fora, procuro sinais em Júpiter que se aproxima da lua, no chão que piso e nos desenhos que vejo nas nuvens.

E não é de agora que a falta de avisos e sinais sobre o que devo ou não persistir me persegue, quando eu era pequena minha abuelita contava a história de um casal e eu sempre me perguntava, poxa, por quê Deus não mandou um sinal para eles?

Esse casal era amigo da minha abuelita e logo depois de se casaram decidiram alugar um apartamento em uma área um pouco afastada e perigosa, a ideia era morar ali até economizarem para comprarem sua casa. O apartamento era antigo, grande, espaçoso e iluminado.

A moça contou que assim que entrou no apartamento sentiu uma energia diferente, teve a certeza de que ali dentro tinha alguma coisa que mudaria sua vida, mas era o começo de uma nova etapa, estava casada e não pensou mais no assunto.

Quando eles se mudaram o apartamento só tinha sido limpo, não tinha nada além dos armários e as peças do banheiro, estava completamente vazio.

Ficaram ali durante dez anos e parece que foram muito felizes, mas depois desse tempo resolveram que era melhor comprar sua casa e começaram a procurar onde morar, queriam sair dali porque era um bairro perigoso, os parentes e amigos não gostavam de ir ao apartamento, apesar dele ser espaçoso e bonito.

Acharam uma casa e deram a entrada, era um casal simples, com dois empregos estáveis, mas sem grandes recursos. E a moça contou a minha abuelita que assim que começou a arrumar as caixas da mudança e as malas voltou a ter a sensação estranha, sentia que havia alguma coisa ali no apartamento que não poderia ser abandonada. Já tinham sido muitos anos lá dentro e mesmo sendo alugado o casal tinha feito algumas melhorias, estavam apegados ao lugar.

Foram tantas as dúvidas da esposa que o marido procurou o proprietário e perguntou se ele queria vender o apartamento, fizeram uma proposta e foi aceita.

Mas a família do casal entrou no meio, para quê viver em um lugar perigoso, e se eles um dia tivessem filhos? O apartamento era lindo, mas não tinha garagem, era antigo, cheio de problemas, cercado por ruas abandonadas e longe do centro.

E não era barato, pelo tamanho o preço era um pouco alto.

O marido resolveu esquecer a proposta, achou que seriam mais felizes em outra casa, perto da família e longe de um lugar desses, mas a esposa resistia e enrolava para sair dali, dizendo que sentia que alguma coisa a puxava.

Foi tanta a insistência que chamaram uma médium, para saber se a moça tinha algum encosto grudado, fizeram uma sessão e não aconteceu nada, então descartaram a ideia de que tinha algo no apartamento.

A moça acabou indo ao psicólogo e concluiu que como era filha de vendedor e tinha se mudado muito durante a infância talvez desenvolveu um trauma secreto e resistia em se mudar mais uma vez.

E era tanto o sofrimento dela que a mudança foi cancelada várias vezes, deram entrada na casa, mas não se mudavam, até que o marido não aguentou mais e disse a esposa que não poderiam mais pagar o aluguel do apartamento e a prestação da casa nova ao mesmo tempo.

Minha abuelita dizia que o casal era muito cuidadoso com o dinheiro, vinha de muita pobreza, do interior do interior, gente que passou muita fome, que ia de um lado a outro tentando melhorar a vida, até que conseguiram estudar um pouco e entraram em empregos estáveis.

A esposa insistia na sensação, tinha alguma coisa no apartamento que mudaria sua vida, mas o marido dizia que isso era apenas o apego, tinham sido felizes e a alma humana é assim, resiste em abandonar os lugares onde se sentiu bem.

Eles saíram, mas ela jurou que voltaria e compraria o apartamento, pelo menos até saber porque se sentia tão ligada a ele.

Meses depois ficou sabendo que um casal comprou o apartamento, mas pensou que na hora que tivesse dinheiro iria negociar com eles.

Se passaram alguns anos e ela não esquecia o apartamento. 
Um dia resolveu voltar, tocou a campainha, mas ninguém atendeu, até que uma vizinha a reconheceu e chamou para conversar, contou uma história inacreditável.

O casal que comprou o apartamento se mudou em uma segunda-feira e tinha resolvido fazer uma reforma. As únicas peças originais eram os armários da cozinha, que estavam feitos de ferro e as peças do banheiro, a privada, a pia, a banheira e o tubo nas paredes que segurava as cortinas do chuveiro. Como era tudo feito de material nobre estavam bem conservadas, mas o casal resolveu arrancar tudo e ao puxarem o tubo do chuveiro perceberam que era muito pesado, pensaram que era de ferro sólido, mas ao arrancarem viram que estava cheio de moedas de ouro, alguém tinha escondido centenas e centenas de moedas de ouro por dentro do tubo que segurava a cortina do chuveiro.

Isso transformou o casal em milionários, cada moeda valia muito dinheiro, não apenas pelo ouro, mas porque eram moedas históricas, dessas que qualquer museu paga o que for para ter no seu acervo. Eles não tinham nem passado vinte e quatro horas no apartamento e já estavam ricos.

A mulher achou a história fantasiosa demais, o casal assim que se descobriu milionário fechou o apartamento e sumiu no mundo, então a mulher resolveu investigar a história do apartamento, queria ver se era possível mesmo que alguém tivesse escondido tantas moedas de ouro em um tubo.

Ela nunca conseguiu ir muito longe, o máximo que conseguiu saber foi que o proprietário do apartamento, o primeiro, tinha sido um homem que também construiu o prédio, era dono de tudo, morava sozinho, nunca se casou, nem teve herdeiros. E parece que sua família tinha encontrado um ''tesouro'' há mais de cem anos, mas nunca se confirmou essa história. A única hipótese é que ele tenha tido acesso as moedas de ouro e achou que o melhor lugar para guardar seria o tubo do chuveiro.

Eu era pequena quando me contavam essa história, não tinha a menor noção do que era ouro ou se tornar milionário da noite para o dia, mas sempre que escutava essa história me invadia uma sensação enorme de injustiça, poxa, por quê Deus não ajudou e iluminou a moça para que ela achasse essas moedas antes do casal? Desde que ela entrou no apartamento ela sentiu que tinha alguma coisa ali que mudaria sua vida e nada muda mais a vida da pessoa do que dinheiro.

Sempre senti muita revolta com essa história, minha abuelita diz que a moça nunca quis reformar o banheiro porque achava as peças originais lindas e precisaria de autorização para mudar, porque era inquilina. Mas caramba, penso o seguinte, por que ela um dia não escorregou no chuveiro, tentou se segurar no tubo, ele não aguentou o peso dela, então caí e ela recebe essa chuva de moedas?

Essa história ainda me atormenta, não é só o valor econômico, mas a injustiça em si, ela morou dez anos ali, sentindo que alguma coisa poderia mudar em sua vida, por que não se deu um sinal a ela?

E se ela tivesse insistido e comprado o apartamento? Talvez faria uma reforma no banheiro e encontraria as moedas.

Não sei, mas anos fiquei mais perturbada quando li o livro ''O alquimista'', de Paulo Coelho, a história de um rapaz que corre o mundo, quebra a cara e no fim volta a sua casa e encontra o tesouro debaixo de sua cama.

E sempre tem gente que vai dizer ''mas eram apenas moedas de ouro, dinheiro, quem se importa?''.
Não! Não era apenas isso, era uma mudança de vida, e por que o ouro não tem o mesmo respeito de outras coisas? Caramba, se a moça vinha de uma situação tão difícil, imagina o que teria sido para ela achar essas moedas?

Me pego pensando nessas moedas e em tudo que representam, até quando insistir, até quando persistir? E se existe esse ''tubo'' na vida das pessoas, aquele ouro que está acima de nossas cabeças, por quê nem sempre se recebe um sinal? E a metáfora de ficar no mesmo lugar, esperando que talvez um dia o tubo arrebente e caiam aos chão as moedas, ou largar tudo e cair no mundo? É melhor ficar ou se mexer?

Cansei dessas história de que ''o que é teu te encontra'', pois então tem o endereço errado, porque estou esperando!

Minha abuelita dizia que a moça não achou as moedas porque não eram para ela, mas caramba, ela ficou ali dez anos, sentindo a energia, sentindo a proximidade e no fim outros acharam em menos de vinte e quatro horas? 

A vida é assim! Meu irmão diz ''a vida não é justa, é o que é''.

Por que ela não sonhou com as moedas e saiu quebrando tudo? Posso me imaginar no lugar dela, se eu entro em um apartamento vazio como poderia adivinhar que existe uma fortuna no tubo do banheiro?

Esse é o ponto da vida! Nenhum de nós sabe onde está o tubo com as moedas, mas tantos persistimos e insistimos em tantas coisas, caramba, onde está o sinal?

Não sei se eu insisto e persisto no que penso fazer, não sei se quebro o chão até achar as moedas ou faço como a moça, abandono a sensação e começo outra coisa. Minha mãe se desespera quando minha alma começa a bater nas paredes e sempre me diz ''vai indo, depois você pensa no que fazer, o importante é não parar''.

Mas eu me pergunto, indo pra aonde?



Iara De Dupont


quinta-feira, 11 de maio de 2017

Na Capa de Meu Rosto

Toda vez que te vejo, eu te leio com um sorriso estampado na capa do meu rosto.

Seu prefácio descreve que não será assim, mas eu ainda assim te leio com um sorriso estampado na capa do meu rosto.

Então vem o Sumário, que detalha em capítulos o que está por vir. Não parece ser alto astral, mas eu, ainda assim, tenho na capa estampado um sorriso e não temo em mostrar a capa de meu rosto.

Durante a leitura dessa doce tragédia, tristes contos e poesias desdenham que tudo caminhe para o fim. Nesse momento, uma mancha surge na minha capa.

Perco a vontade de ler por um instante, mas me esforço. Ainda que o contexto não pareça propício, mostro de novo o sorriso que estampa a capa de meu rosto.

Ao fim do romance, a esperança de um novo começo. Eis que leio que tudo parace estar certo para o lamento dos que não voltam. 

Mas eu, abro a capa que estampa o sorriso de meu rosto e te mostro que em meu peito há algo bem mais forte e incandescente. 

Te deixo então ler que em meu livro descrevo que te ter é o que dá sentido ao estampo do sorriso na capa de meu rosto.

domingo, 7 de maio de 2017

Amanhã.

Os passarinhos entoam canções que desconheço.
A vida me venda.
Tudo o que vejo
é mistério sem constelação.

Talvez seja esse o abismo
que invade o espaço
em que nos desencontramos.

Em que, momentaneamente
nos perdemos.

Amanhã, quem sabe
a melodia nos seja familiar.
E fácil.

Quem sabe.
Amanhã.

sábado, 6 de maio de 2017

Acordares - 5:31

Era vazio no parado do dia.
O silêncio inundado.
Não dormia quando o sol entrou.
O amanhecer veio aos olhos estatelados.
Aquela hora, dia preenchendo noite,
sem ser.
O dia seria dia, era determinado, fato.
Ele sofria do não ser.
O corpo sentia o cobertor até as fibras.
Aspirava o por menor
de grandezas suas.
Fazia frio, esticava pernas.
Pensamento fundo que os olhos davam.
A pele brilhava alinhada.
Expirava orgulhos outros.
Emaranhados desejos do não

ser. 

O silêncio inundado.
Não dormia quando o sol entrou.
O amanhecer veio aos olhos estatelados.
Aquela hora, dia preenchendo noite,
sem ser.
O dia seria dia, era determinado, fato.
Ele sofria do não ser.
O corpo sentia o cobertor até as fibras.
Aspirava o por menor
de grandezas suas.
Fazia frio, esticava pernas.
Pensamento fundo que os olhos davam.
A pele brilhava alinhada.
Expirava orgulhos outros.
Emaranhados desejos do não
ser. 

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Meu querido Verbo


Você que sempre foi vilão
Digno de qualquer quadrinho
Sempre causando confusão
Proporcionando este ou aquele errinho

Você que sempre teve mil faces
Sempre clamou por atenção
Hoje atravessa uma triste fase
E chora a falta de dedicação

Meu amigo que morre pouco a pouco
Vai sofrendo bem devagar
Quando alguém precisa “escrevê”
Que necessita comigo “falá”

Derrubaram por terra o seu charme
Derrubam assim o seu encanto
Busco meios de consolar-me
Mas o vejo perdido sempre aos prantos

Rogo então para não te “perdê”
Preciso de meu passado
Perfeito, imperfeito ou mais que perfeito
Preciso do meu futuro
De hoje ou de ontem

Então não morra meu amigo
Você que tem muitos sujeitos
Fique aqui comigo
Respeitaremos esse seu jeito

Fábio Fonseca